Você já deve ter ouvido falar que a Reforma Tributária vai mudar bastante o jeito de cobrar impostos no Brasil. Pois é: ICMS, ISS, PIS e Cofins vão sair de cena, e no lugar entram dois novos tributos: IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).
Esses novos impostos começam a valer aos poucos a partir de 2026. Mas calma: o Simples Nacional não vai acabar. Ele continua, só que com algumas adaptações.
E como vai funcionar para quem está no Simples?
Na prática, a empresa terá que escolher como quer lidar com o IBS e a CBS. Existem duas possibilidades:
1. Continuar “dentro do Simples”
Aqui, nada muda muito na rotina. O IBS e a CBS entram dentro do DAS, junto com os outros tributos.
- O imposto não aparece destacado na nota.
- O cliente que está no regime normal recebe apenas um crédito presumido (menor do que o crédito integral).
- Você continua preenchendo o PGDAS-D como sempre.
- Mas tem um detalhe: essa opção só vale até R$ 3,6 milhões de faturamento por ano. Passou disso, migra automaticamente para o regime normal do IBS.
Essa é a escolha que costuma fazer mais sentido para quem vende direto para o consumidor final (lojas, prestadores de serviço, restaurantes) e tem poucos insumos tributados.
2. Optar por recolher IBS/CBS “por fora”
Aqui a empresa continua no Simples para os demais tributos, mas o IBS e a CBS são apurados separadamente.
- O imposto aparece destacado na nota fiscal.
- Você passa a ter direito a crédito integral sobre tudo o que compra: insumos, energia, aluguel, serviços.
- Seu cliente em regime normal também recebe crédito integral.
- A escolha vale para um semestre inteiro e não pode ser desfeita antes.
Essa opção costuma ser vantajosa para quem compra muitos insumos tributados e vende para outras empresas (B2B), como indústrias e atacadistas.
Comparando as opções
- Ficar dentro do Simples (DAS único): mais simples, menos burocracia. Mas você não aproveita créditos e seus clientes também ficam limitados a um crédito menor.
- Optar “por fora” só para IBS/CBS: dá acesso a créditos integrais e pode deixar sua empresa mais competitiva, mas exige novas obrigações e complica um pouco a rotina.
- Sair totalmente do Simples: pode acontecer no futuro, se a empresa crescer bastante. Nesse caso, você aproveita todos os créditos, mas perde os benefícios do Simples, como DAS único e alíquotas progressivas.
Resumindo, o Simples Nacional vai continuar, mas agora com uma bifurcação no caminho. Você pode:
- Permanecer 100% dentro do DAS, sem direito a créditos.
- Ou destacar IBS e CBS à parte, aproveitando créditos e repassando-os para clientes.
Qual é a melhor? Depende do seu tipo de atividade, do perfil dos seus clientes e do quanto você compra de insumos tributados.
Por isso, é fundamental conversar com seu contador desde já. As mudanças começam em 2027 e até 2029 já será necessário tomar essa decisão. Quem se preparar antes, sai na frente.
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