Imposto Seletivo (IS): o que é e quando se aplica

Imposto Seletivo (IS): o que é e quando se aplica

A Reforma Tributária criou um novo imposto federal chamado Imposto Seletivo (IS). Diferente do IBS e da CBS, que têm foco em arrecadação e simplificação, o IS tem função regulatória: ele não serve para arrecadar muito, mas para desestimular o consumo de alguns produtos e serviços que prejudicam a saúde ou o meio ambiente.

O que será taxado pelo IS?

O IS vai incidir sobre itens específicos, como:

  • cigarros e outros produtos de fumo;
  • bebidas alcoólicas;
  • veículos poluentes;
  • armas e munições;
  • jogos e apostas (como loterias e fantasy games).

A lista desses produtos está na lei e pode ser atualizada pelo governo ao longo do tempo.

Como o IS funciona na prática

  • O IS será cobrado uma única vez, no momento em que o produto ou serviço entrar no mercado (na venda do fabricante, na importação, no leilão ou no uso próprio pelo produtor).
  • Não gera crédito tributário: quem paga o IS não pode compensar esse valor nas etapas seguintes da cadeia, como acontece no IBS e na CBS.
  • A base de cálculo é, em geral, o valor da venda, o valor de importação ou o valor de referência definido em lei.
  • As alíquotas variam conforme o produto. Por exemplo:
    • minerais extraídos terão alíquota máxima de 0,25%;
    • gás natural usado na indústria pode ter alíquota zero;
    • veículos, armas e aeronaves terão alíquotas maiores, ajustadas conforme potência, emissões ou tipo de uso.

Quem paga o IS

O contribuinte é sempre quem coloca o produto ou serviço no mercado:

  • fabricante (na primeira venda, consumo próprio ou doação);
  • importador (no desembaraço aduaneiro);
  • arrematante (em leilões);
  • extrator (no caso de bens minerais);
  • prestador de serviços de apostas, inclusive estrangeiros.

E o que não paga o IS?

Alguns setores ficam de fora, como:

  • energia elétrica;
  • telecomunicações;
  • produtos ou serviços com alíquotas já reduzidas de IBS/CBS por razões sociais ou ambientais.

O que muda para as empresas

Para a maioria das empresas, o IS não será um imposto do dia a dia, já que ele atinge setores específicos. Mas para quem atua com os produtos listados, será necessário:

  • ajustar o cálculo e a nota fiscal para incluir o IS;
  • entender que não há crédito desse imposto;
  • repensar estratégias de precificação, já que a função dele é justamente encarecer produtos considerados nocivos.

O Imposto Seletivo chega para alinhar o Brasil às práticas internacionais, usando a tributação como ferramenta para desincentivar produtos nocivos e incentivar consumo sustentável.
Na prática, é um imposto simples de entender: incide uma vez, não gera crédito e tem alíquotas específicas conforme o produto.

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